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O refugo

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 29.09.07
O PSD estava à beira de um precipício. Acabou de dar um passo em frente. Entre o intervalo e o abismo escolheu o abismo. Acabou num santanismo sem Santana. Ou seja, sem graça.


Luís Filipe Menezes representa o pior do PSD profundo: sem ideologia nem programa, refém de caciques. A oposição do PSD será de esquerda quando o vento sopra da esquerda, de direita quando o vento soprar de direita. O nível da sua campanha para as primárias é um cheirinho do que nos espera. Espera-nos o PSD dos autarcas.

 

Se acreditasse que Luís Filipe Menezes era um líder para ficar diria que o PSD se preparava para um crise de identidade sem remédio. Acredito que o seu arqui-inimigo, Rui Rio, ficará à espreita. E Rio Rio é o oposto. Um autoritário de uma direita liberal, um pequeno Sarkozy à pindérica dimensão nacional. Não aprecio o estilo, mas ele seria o que o PSD precisava: um dirigente com um perfil ideologicamente marcado. Menezes poderá fazer guerrilha, mas não construirá um exército para tomar o poder. Não tem nem nunca terá uma ideia política. Aliás, quem ouviu o seu paupérrimo discurso percebeu que Menezes tenciona fazer oposição a Sócrates pela esquerda. Um disparate de cálculo. O PSD arrisca-se a não recuperar o que perdeu e a perder o que tem.

 

Agora vamos aos problemas práticos que estão à frente de Menezes:

 

Menezes não é deputado. Com as alterações ao funcionamento do Parlamento, os debates com Sócrates ganharam importância. E com o líder do PSD fora da Assembleia é lá que Sócrates vai querer fazer os debates. Quem encontrará ali espaço para brilhar? Santana Lopes. Sobretudo tendo em conta que aqueles foram os deputados que ele escolheu. Ou seja, ou Menezes escolhe dar protagonismo a quem lhe vai cavar o túmulo ou fica sem nenhuma voz de peso no Parlamento.

 

Segunda dificuldade: os pesos pesados do PSD estiveram calados. Suponho que assim continuarão. E enquanto Marques Mendes, mesmo sendo fraco, era um dirigente com dimensão nacional, Menezes terá um partido de anónimos ou de apoiantes transitórios.

 

Terceira dificuldade: Menezes fez toda a campanha contra Mendes defendendo aqueles que Mendes afastou com argumentos morais, fossem falsos ou verdadeiros. Isaltino já prepara o regresso. Os caciques virão cobrar a dívida.

 

Os militantes do PSD acharam que precisavam de um líder mais forte. Um erro. As próximas eleições já estão perdidas. O que o PSD precisava era de um líder sólido que estruturasse uma alternativa para daqui a seis anos. Uma alternativa de direita que empurrasse o PS à esquerda e recuperasse para o PSD o eleitorado do centro. Com Mendes adiava essa urgência. Com Menezes afasta-se dela.

 

Resumindo: fora do Parlamento, sem os pesos pesados, sem solidez política, entregue às exigências do pior que o PSD tem, Menezes será um líder forte de coisa nenhuma. Sócrates pode ignorá-lo como ignorou Mendes. Com uma vantagem: não se tem de cruzar com ele.

 

Quem ficará em dificuldades é Paulo Portas. Tem um concorrente no terreno populista. Ele é melhor, mas o seu partido é mais pequeno.

 

Uma direita ideológica e alternativa a Sócrates fica adiada. Mas, para dizer a verdade, talvez ainda não fosse o tempo dela. O programa da direita está a ser aplicado. É por isso mesmo que Manuela Ferreira Leite fica em casa. Sabe que a coisa está em boas mãos. Do PSD, nos próximos dois ans, virá apenas ruído.

 

E aqui me despeço. Os balduínos podem voltar. É melhor tirarem-me a senha ou eu começo a escrever posts-elogios a Sá Fernandes em nome do Paulo Pinto Mascarenhas. Uma nota de lamento: passar por aqui sem que este blogue impluda é uma mancha no meu invejável currículo. Até à próxima. Sabem onde me encontrar. Obrigado ao 31 da Armada pelo simpático convite.

Uma escolha difícil

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07
Se ganhar o Marques Mendes, a direita terá o Paulo Portas.
Se ganhar o Luís Filipe Menezes, a direita terá o Paulo Portas e o Paulo Portas da loja dos 300.

Menezes quer a colaboração de um homem sem «estatura política» nem «ética»

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07
Luís Filipe Menezes acredita que vai vencer as eleições directas do PSD. O candidato à liderança do partido votou ao fim da tarde na sede do partido, em Gaia. À saída garantiu que amanhã vai ligar a Marques Mendes para lhe dizer que conta com ele: «Amanhã vou-lhe ligar e dizer que conto com ele para colaborar com futuro líder do PSD».

E mais duas dúvida

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07
Que papel terá Santana Lopes caso ganhe Luís Filipe Menezes?
Como liderará Menezes o partido sem estar no Parlamento? Lembram-se de Ribeiro e Castro?

A minha dúvida neste dia

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07



Se é "Mendes Bota" porque bota Menezes?

O Luís Esperto

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07
O número que ontem Luís Filipe Menezes fez numa escola, usando-a para campanha interna no seu partido, escrevendo num quadro que hoje o país ia mudar e depois justificando a frase com a instalação de uns painéis electrónicos ou coisa que o valha é um bom retrato do que seria ou virá a ser a sua liderança. Espertalhona.

Tiago, o demónio comprou casa neste corpo. Só se pagares bem. E mesmo assim não é garantido. Diz que é "okupa".

Indirectas, já!

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07
Estas são as primeiras directas realmente renhidas em qualquer partido. E nelas podemos ver todas as desvantagens desta nova moda. Os líderes são eleitos num momento diferente em que a orientação do partido é votada. O debate fica vazio. Os militantes acompanham a discussão pelos jornais. O debate é mediado. Os candidatos falam mais para dentro do que quando se dirigem a delegados, mais preparados para ponderar variantes externas ao partido. O partido expõem-se mais mas fecha-se. Os líderes desgastam-se ainda antes de o serem. E como directas difíceis só acontecem a quem está na oposição, fragilizam sobretudo quem já tem a tarefa dificultada. Os congressos são violentos, mas duram três dias. Dois meses depois de se atacarem, é mais difícil colar os cacos.

É verdade que as directas são, do ponto de vista interno, mais democráticas e mais transparentes. Mas fecham ainda mais os partidos em si mesmos, beneficiam o populismo e fragilizam quem está na oposição. E mais democracia nos partidos nem sempre se traduz em mais democracia no país. Todo o poder para o militante pode mesmo querer dizer menos poder para o eleitor.

O que seria verdadeiramente democrático: directas com o voto do eleitorado. Mas é viável? Se não é, mais valia voltar aos velhos congressos, sem lugares por inerência e com regras mais claras.

Fair and Balanced

por Daniel Oliveira (convidado especial), em 28.09.07


Apesar de me sentir Luís Filipe Menezes num congresso do PSD/Açores, agradeço ao 31 da Armada esta oportunidade de «obter um pouco mais de audiência, de projecção ou notoriedade.» Como dizia o outro, estou aqui com grande sacrifício pessoal. Mas prometo dar o meu melhor e analisar com toda a objectividade o sufrágio no Gang do Multibanco.

Saberemos hoje quem será o primeiro de vários líderes da oposição nos próximos seis anos. Se chegar a aquecer a cadeira já terá uma grande vitória. A sua primeira tarefa: fazer esquecer o último mês. A segunda: pôr no altar a Santa Manuela e assegurar que ela não desce à terra. A terceira: impedir que Rui Rio marche sobre Lisboa antes das próximas eleições. Oposição ao governo, com o qual, no fundo, concordam em quase tudo, só mesmo lá para 2010.

Como vêem, terão aqui um comentador isento e sem preconceitos. Até logo.